Entrevista Fabrício Matos

Quando um árbitro entra no gramado de um estádio de futebol, as sonoras vaias e xingamentos vêm à tona. Após algum erro contra alguma das equipes envolvidas no certame, a pressão em cima do arbitro é enorme e por vezes assustadora. É nessas horas em que muitas pessoas que estão em casa ou na arquibancada assistindo ao jogo se perguntam: Por que um jovem decide ser árbitro de futebol ou bandeirinha?

Além de todos os xingamentos e da pressão exercida pelas torcidas durante um jogo, acontecem alguns outros fatores desagradáveis como ameaças, perseguições e o amadorismo. Existem também as condições precárias que algumas federações do país ainda oferecem. Como a falta de segurança, falta de uma boa preparação, vestiários ultrapassados e sem um mínimo de conforto, clubes que não oferecem um mínimo de cortesia com a equipe de arbitragem e até mesmo agressões físicas. Ainda assim nada disso inibe esses jovens que sonham se tornar árbitros de futebol.

As dificuldades para um iniciante são enormes, as mensalidades dos cursos não são baratas, o prazo médio da formação no curso está em torno de um ano, podendo chegar aos dois anos. A preparação física é um fator preponderante hoje em dia também, que acaba deixando um bom número de bons árbitros pelo caminho, pois os testes físicos são bastante exigentes.

O árbitro de futebol, não só no Brasil como no mundo todo, está sempre na mira dos torcedores e críticos do esporte. Realmente não é fácil tornar-se um árbitro de futebol no Brasil. Uma das primeiras frases que um árbitro de futebol escuta em um curso de formação é: “Você vai errar, mais procure não errar de modo que possa interferir no resultado da partida”.

Para atuar bem, o árbitro precisa estar sempre bem posicionado, ter uma boa sintonia entre toda a equipe escalada, não cometer falhas grotescas e acima de tudo ter muita postura.

O grande motivo que faz um jovem querer tornar-se árbitro de futebol ou assistente é a paixão pelo futebol. Em pesquisa realizada com 150 árbitros de futebol, 98% deles responderam que era por amor ao esporte e apenas 2% responderam que era para ganhar uma renda extra. É extremamente positivo o resultado desta pesquisa, pois o árbitro que entra em uma partida apenas pensando no dinheiro e sem ter a paixão pelo o que faz, costuma não ter um futuro promissor na profissão, tendendo ao fracasso.

Hoje entrevistaremos um iniciante na profissão, que aos poucos vem conquistando seu espaço em jogos das categorias de base da FERJ. Morador de Bangu, Fabrício Matos nos concede esta entrevista para falar um pouco sobre as dificuldades, os prazeres e tudo o que envolve a carreira de um árbitro de futebol, desde o curso de formação até as primeiras escalações.

Thiago Gico: Quando e como você decidiu que queria ser árbitro de futebol?

Decidi ser árbitro de futebol quando terminei a faculdade de educação física, vi na arbitragem a oportunidade de exercer uma função muito prazerosa, que sempre gostei de fazer e de participar desse mundo tão maravilhoso que é o futebol.

 

Thiago Gico: Há quanto tempo você trabalha como árbitro de futebol?

Estou no meu 3º ano de arbitragem

 

Thiago gico: Está no quadro da FERJ desde quando?

Estou no quadro desde 2011, mas na escola de arbitragem, em 2010, já fazia estágio atuando de quarto árbitro nos jogos da categoria sub-15 e sub-17.

 

Thiago Gico: Quais são as maiores dificuldades da carreira?

O não profissionalismo da arbitragem, conciliar treinamentos, escalas, trabalho.

 

Thiago Gico: Qual foi o jogo mais importante e o mais difícil que você apitou até agora?

O mais importante foi também o mais difícil, foi ano passado no sub-17 na partida entre Artsul e Audax-rj em Austin. Valia classificação para as semi-finais do estadual da categoria.

Artsul e Audax Fabricio Matos

 

Thiago Gico: Já passou por alguma situação complicada ou inusitada durante algum jogo?

Graças a Deus ainda não. A não ser em campos no interior do Estado, onde não temos alambrados e volta e meia entra cachorro no campo de jogo (risos).

 

 

 

Thiago Gico: Quais são seus objetivos a curto, médio e longo prazo na arbitragem?

Em curto prazo, tenho que trabalhar bem esse ano na categoria sub-20 para tentar alcançar a categoria profissional ano que vem. Em médio prazo, almejo ingressar no quadro da CBF e a longo prazo, que é o sonho de todo árbitro, chegar ao quadro da FIFA.

 

Thiago Gico: É a favor do sorteio na escala dos árbitros?

Sou a favor sim. Sempre.

 

Thiago Gico: O que falta para a arbitragem brasileira tornar-se realmente profissionalizada?

Acho que falta investimento e patrocinadores.

 

Thiago Gico: Fora do trabalho de árbitro, você exerce uma outra profissão?

Sim. Sou Professor de Educação Física atuando na área do fitness.

 

Thiago Gico: Qual é a sua maior alegria como arbitro de futebol?

Atuar exercendo com muito prazer essa difícil atividade e fazer parte do espetáculo que é o futebol.

 

Thiago Gico: Qual é e como é o seu relacionamento com técnicos, dirigentes e jogadores?

Fora de campo somos todos iguais, tenho muitos conhecidos, jogadores, dirigentes, meu relacionamento é normal, já dentro de campo é cada um fazendo o seu, eu apito meu jogo e eles jogam. Sempre com bastante profissionalismo e educação.

 

Thiago Gico: Qual sua mensagem para quem deseja começar a carreira de árbitro?

Digo que é uma atividade espetacular, só quem está dentro de campo sabe o que é participar desse espetáculo que é o futebol, tem que ter bastante dedicação com treinamentos, alimentação, estudar bastante as regras do jogo de futebol, deixar um pouco de lado a vida social e quanto mais novo (idade) melhor, pois as comissões de arbitragens dos estados brasileiros estão dando prioridade para os mais novatos.

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