Moradores de Campo Grande querem debater o Hospital Rocha Faria

O Hospital Estadual Rocha Faria desde 1940, ano de sua fundação, lida com problemas de descaso, falta de atendimento e violência contra a população, fruto de uma política nacional incapaz de resolver o problema da saúde no país.

A unidade oferece serviços de emergência, urgência, pronto socorro e ambulatorial nas especialidades de clínica médica, cirurgia geral, ortopedia, pediatria, UTI de adulto e neonatal, e maternidade de alto risco, para uma população doméstica de quase 1 milhão de pessoas, sem contar os atendimentos feitos a pacientes transferidos de municípios vizinhos, motivo suficiente para as autoridades tratarem o caso de forma especial.

Nesse momento a Secretaria de Estado de Saúde impediu o diretor do Hospital Dr. José Macedo, de falar à nossa reportagem e comentar as manifestações dos populares que tentam impedir que continue a morrer pacientes recém-liberados, mal diagnosticados; e que policiais truculentos continuem a violentar o público.

Wagner Brasil Oliveira – morador de Inhoaíba (Vila Ieda)

O HERF tem um péssimo atendimento. Somos atendidos com má vontade. Médicos e enfermeiras se trancam nas salas para conversarem sem compromisso de nos atender. Minha esposa está saindo sem fazer a revisão do seu caso, pois nossos filhos estão sozinhos em casa e não podemos esperar.

 

Personagem 2

Alan de Souza – morador de Nova Iguaçu

 

É a segunda vez que venho ao HERF.

 Quando criança operei hérnia e hoje quebrei o pé e precisei engessar. Fui bem atendido, estou satisfeito, não esperei muito e o médico foi bastante atencioso.

 

Personagem 3

Maria Araujo – moradora de Santíssimo

A superlotação é o maior problema do hospital. Trouxe minha filha com suspeita de conjuntivite e demorei 1 hora para ser atendida. Dá outra vez esperei 3 horas.

Minha sobrinha de 1 ano está internada há duas semanas esperando eles acharem seu exame que esta perdido. O médico não autoriza fazer outro temendo os efeitos colaterais. O caso está na ouvidoria sem resposta. Toda a família está preocupada sem saber o que fazer. Falta informação, eles estão perdidos.

 

Personagem 4

Daniela Kerollyn – moradora de Cosmos

Foi bom, não fui destratada, porém o ambiente me assustou. As pessoas estão amontoadas nos corredores em macas e cadeiras onde é feito o atendimento. As enfermarias também estão superlotadas. Pessoas imploram por medicamentos e atenção. É muito desumano o atendimento. Assusto-me em pensar que eu ou um conhecido poderia estar ali. Isso é inaceitável.

 O diretor é aquele que abandonou as macas ao lado do necrotério?

 

Personagem 5

Edmara Pitanga – moradora de Pedra de Guaratiba

 

Isso aqui é um inferno, internei meu pai aqui na 2ª feira e ele morreu hoje pela manhã sem nós sabermos a causa. Nesses quatro dias só conversamos com enfermeiras. Meu pai ficou jogado no corredor, não teve atendimento. Houve negligência.

 

Personagem 6

 

Manoel Rodrigues de O. Filho – morador de Cosmos

Em 2005 sofri um AVC e fui bem atendido, hoje vi muita gente nos corredores sem atendimento e não vi médicos. A reclamação é geral. Hoje vim visitar dois amigos que estão internados e sendo bem atendidos.

 

Personagem 7

Léo da Silva – morador da Pavuna

 

O atendimento desse hospital é desumano, Estou com o joelho inchado e doendo. O médico perguntou o que eu tinha, fez um raios-X e me dispensou, nem conversou comigo, meu caso é de ressonância magnética, meu caso é grave, não posso trabalhar assim. Não sei o que fazer.

 

Personagem 8

 

Mônica Xavier – moradora de Santíssimo

 

Tenho um parente internado e correndo risco, pois ninguém se entende aí. Estou sem trabalhar a duas semanas para acompanhar meu parente, falta profissionais, temos que vigiar para não trocarem a alimentação. Na troca de plantão é o caos, as equipes não se entendem e quem sofre somos nós. Não me fotografe, tenho medo de ser prejudicada aí dentro…

 

Personagem 9

Naira Nei – moradora do Rio da Prata

Meu marido está internado há trinta dias para uma cirurgia ortopédica. No início foi difícil, pois ficamos no corredor, depois fomos para a enfermaria e deu tudo certo. Dr. Otílio fez um belo trabalho e salvou a perna do meu marido.

 

Personagem que não quiseram se identificar:

-Eu trabalho na enfermaria de ortopedia, lá os pacientes precisam ser atendidos também por um clinico que nunca aparece.

-Falta entendimento entre os funcionários do hospital e os da cooperativa, contratados. Trabalha-se muito pouco e quem sofre é o paciente. Não posso transferir pacientes por falta de ambulância, só temos uma.

-Moro no Vilar Carioca e trabalho aqui perto. Ouço reclamações o dia inteiro. A maioria por falta de atendimento e orientação para procurar uma UPA. Mulheres grávidas também reclamam bastante.