Justiça nega arquivamento de inquérito que apura mortes na Favela do Rola

O juiz da 1ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, Fábio Uchôa, negou, na tarde desta segunda-feira, dia 2, o pedido de arquivamento do inquérito que apura cinco mortes ocorridas durante incursão policial, em agosto de 2012, na Favela do Rola, em Santa Cruz,  Zona Oeste da capital fluminense. O Ministério Público estadual havia solicitado o arquivamento por entender que os policiais agiram em legítima defesa.

De acordo com o juiz Fábio Uchôa, imagens de câmeras dos dois helicópteros envolvidos na operação policial afastam a versão de legítima defesa. “Com efeito, através de tais imagens, observa-se que o segundo helicóptero ingressa na favela em alta velocidade, aproximando-se do bar indicado e, então, o que se vê são os atiradores do helicóptero passarem a efetuar disparos contra o bar, sem que nenhum elemento esteja efetuando disparos em direção ao helicóptero ou em qualquer outra direção”, destacou o magistrado na decisão.

Durante as investigações, foi realizado um laudo de constatação de impacto no bar em que se refugiaram os homens, que apontou dezenas de “furos” no telhado e solo do estabelecimento, sugerindo impactos por projétil de arma de fogo (IPAF) em trajetória de cima para baixo.

O magistrado enfatizou, ainda, que, nas imagens, é possível acompanhar o helicóptero perseguindo um homem que, em seguida, aparece caído ao solo. “Não nos encontramos numa guerra como Vietnã, mas sim, na plenitude de um Estado Democrático de Direito, no qual a proteção à vida humana e o respeito à Constituição encontram-se entre os princípios mais importantes a serem seguidos”.

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