Cláudio Coelho: Proteja-se das otites nesse inverno!

Quem não tem lembranças de ter passado por pelo menos um episódio de dor de ouvido na infância? Essas dores podem ter variadas causas, e uma das mais comuns são as inflamações no sistema auditivo. Tais processos inflamatórios recebem o nome de otites, que podem ser externas ou médias.

As otites externas são as inflamações da pele do conduto auditivo externo. Costumam acontecer principalmente durante o verão, por acúmulo de água no ouvido ou até por irritação da pele por introdução excessiva de cotonetes para limpeza no canal auditivo. Já as otites médias não possuem relação direta com a entrada de água no ouvido, pois a inflamação nesses casos se localiza no espaço profundo ao tímpano, conhecido como orelha média. Mais comuns durante o inverno, pela maior incidência de gripes e resfriados, as otites médias costumam ser causadas por infecções advindas do nariz e da garganta, vírus, bactérias ou até alergias.

Os principais sintomas das otites são a sensação de “ouvido cheio”, obstrução da passagem de som pelo canal auditivo, zumbidos, pressão ou dores nos ouvidos. De forma geral, as otites podem afetar mais as crianças, por duas razões principais. A primeira é porque o desenvolvimento do sistema imunológico ainda está ocorrendo na infância, o que abre brechas para a instalação mais fácil de vírus e bactérias. A segunda razão é que a tuba auditiva (espaço interno de conexão entre o ouvido médio e a parte superior da garganta) é mais curta e horizontal do que nos adultos, o que propicia a passagem de secreções e microrganismos do nariz para o ouvido.

Mas, independentemente da fase da vida, as otites, se não forem tratadas corretamente com medicamentos ou cirurgias (em alguns casos mais graves), podem apresentar grandes riscos à saúde, pois a infecção no ouvido pode migrar para outras partes da cabeça, como as meninges e o cérebro. E, para quem tem Implante Coclear, o risco de contrair meningite é maior, então se faz ainda mais necessária à prevenção de quadros gripais e otites. Além disso, quadros repetitivos (crônicos) de otites médias, com o passar do tempo, podem causar perda auditiva.

Vamos esclarecer algumas dúvidas sobre as otites e Implante Coclear.

1) Existe mais de um tipo de otite média? Se sim, quais são?

Sim. A otite média aguda é o tipo mais clássico de “dor de ouvido”, aquela que costuma aparecer durante um resfriado ou outra infecção da via aérea. Pode cursar com dor intensa e febre, especialmente nas crianças. Já a otite média com efusão é resultado de acúmulo de secreções na orelha média, às vezes sem infecção de bactérias ou vírus. Não costuma trazer febre e raramente causa dor. Seus principais sintomas são perda de audição e plenitude auricular (sensação de ouvido “cheio”).

2) Quando se fala em otites, outra palavra também pode vir associada: colesteatoma.  Qual é a diferença entre esses dois?

As otites podem ser classificadas conforme a duração dos seus sintomas, em agudas ou crônicas. O nome correto do colesteatoma é “otite média crônica colesteatomatosa”, enquadrando-se assim num dos tipos de otites crônicas. Quanto à causa da otite colesteatomatosa, existem diferentes teorias, mas em muitos casos sua origem está ligada ao passado de infecções repetidas do ouvido.

3) As otites podem interferir no funcionamento do Implante Coclear?

As otites médias e externas não alteram o funcionamento eletrônico do Implante Coclear. Frente ao quadro de otite média no paciente implantado, nossa principal preocupação é que as bactérias causadoras da infecção possam usar a abertura que fizemos na cóclea para inserir os eletrodos como uma via de passagem para causar complicações graves, como meningites ou abcessos cerebrais. Por isso, a maioria das equipes recomenda que os pacientes sejam vacinados contra os pneumococos, bactérias causadoras de otites e meningites.

4) De fato, uma pergunta muito recorrente atualmente é quanto às recomendações de vacinas de gripe para os implantados. Qual é a importância de tais vacinas para ajudar a prevenir as otites e/ou meningites?

A principal recomendação de vacinação nos implantados é contra as bactérias do tipo pneumococo, com mencionei anteriormente. Nos EUA também é padronizada a vacinação contra o Haemophilus Influenzae. Entretanto, sabemos que a gripe pode abrir espaço para o aparecimento de infecções bacterianas ditas secundárias, dentre elas a otite média. Assim, a vacinação contra a gripe é recomendada em todos os implantados.

5) Crianças com otite média de repetição ou adultos com colesteatoma podem implantar? Quais os cuidados a mais que se devem ter nesses casos?

No caso de otites médias ou agudas crônicas em candidatos ao implante, esses processos devem ser tratados com medicamentos ou cirurgias antes de implantarmos, pelos riscos acima descritos. Em alguns pacientes precisamos colocar tubos de ventilação ou fazer cirurgias do tímpano e da mastoide.

6) E, em relação ao Aparelho de Amplificação Sonora Individual (AASI), o que se recomenda quanto ao uso quando a pessoa está com otite?

Em caso de otites externas e médias agudas, o paciente deve interromper o uso do AASI até a cura do processo. Nos pacientes com otite média com efusão, não havendo dor ou inflamação, o AASI pode e deve ser mantido durante o tratamento.
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