Encontro discute criação de ecossistema de inovação no Sertão Carioca( Zona Oeste )

A Empresa Brasileira de Pesquisa e Desenvolvimento (Embrapa) e a Agência de Inovação Tecnológica do Exército Brasileiro (AGITEC/EB) promoveram no último dia 27 de novembro o encontro “Ancestralidade Cultural e ecossistema inovador: a bioconstrução como ponte entre o passado e o futuro”, no auditório da Embrapa Agroindústria de Alimentos. O objetivo foi apresentar possibilidades de integração e de criação de uma rede de atores interessados no desenvolvimento de um ambiente de inovação sustentável no Sertão Carioca, localizado na zona oeste da cidade do Rio de Janeiro. O evento contou com a participação de cerca de 40 pessoas de dez instituições, incluindo lideranças comunitárias locais, ligadas à agricultura familiar, pesca artesanal, artesanato, ecologia, arte e educação.

“Há dois anos, estamos tentando trabalhar na dinâmica do ecossistema de inovação, valorizando as culturas locais, agregando experiências e dando voz aos atores. É uma quebra de paradigma em favor do desenvolvimento do nosso território”, afirmou na abertura do evento a major Fernanda Vilela, da Agência de Inovação do Exército e líder do projeto SerT@o Tecnológico. O chefe de pesquisa e desenvolvimento da Embrapa Agroindústria de Alimentos, Esdras Sundfeld, também deu as boas-vindas aos presentes, reforçando o compromisso da Empresa no desenvolvimento de tecnologias sustentáveis e na promoção da sustentabilidade, em conjunto com diversos atores.

As contribuições da Embrapa para o desenvolvimento territorial foram apresentadas pela chefe de Transferência de Tecnologia da Embrapa Agrobiologia, Ana Garofollo, que contextualizou a questão: “A ação no território requer políticas públicas que dialoguem com as demandas locais, valorizem a tradição e a história agrária da região, considerem as formas de ocupação do solo, a questão ambiental, a legislação vigente, questões socioeconômicas, além do capital social e cultural”. Em sua palestra, a pesquisadora destacou o trabalho da Embrapa na área de inteligência territorial em apoio às políticas públicas, e ações de pesquisa e transferência de tecnologia para o desenvolvimento sustentável dos povos e comunidades tradicionais. Atualmente, há cerca de cem pesquisadores da Embrapa em todo o país atuando com desenvolvimento em territórios tradicionais com metodologias participativas de construção do conhecimento. “Esse tipo de abordagem respeita a pluralidade e a diversidade dos povos tradicionais, promovendo um diálogo horizontal que permita a geração de tecnologias sociais, construídas pela interação e pelo conhecimento coletivo”, destacou.

O projeto SerT@o Tecnológico – Ecossistema de Inovação Sustentável” foi apresentado pela major Fernanda Vilela baseado em uma tríplice hélice (Governo, Universidade e Empresas/Terceiro Setor) com o envolvimento da comunidade local, alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. Os primeiros passos já estão sendo dados para a integração e a aproximação dos atores, estudo e valorização das potencialidades locais, a fim de gerar um impacto social positivo e fomentar o empreendedorismo. “O conceito-piloto desse Distrito de Inovação possui três plataformas: educacional, tecnológica e sociocultural. As áreas que compõem a plataforma tecnológica são: tecnologias verdes (na qual está incluída a bioconstrução), novos materias e biotecnologia. A estratégia de inovação baseia-se na biomimética:ciência de aplicação transversal que procura aprender com a Natureza suas estratégias e soluções”, ressaltou Fernanda.

Na plataforma sociocultural, a bioconstrução, dentre outras, foi apresentada como vocação local do Sertão Carioca e, como consequência, potencial para o empreendedorismo de base comunitária da região. Já na plataforma educacional, a bioconstrução é o alicerce da proposta de toda infraestrutura necessária. O exemplo-inspiração apresentado foi da “Escuela Sustentable” do Uruguai, construída pela comunidade local.

O arquiteto holandês, Johan van Lengen, criador do Instituto Tibá e escritor do livro Manual do Arquiteto Descalço, estava presente no evento e falou sobre sua experiência em trabalhar no desenvolvimento de comunidades auto-sustentáveis e sobre a viabilidade de se construir uma escola na região, por exemplo. “A bioarquitetura existe há cerca de 5 mil anos. É um tipo de construção adaptada ao clima local, com materiais locais e que dialoguem com a cultura local. Se a comunidade se engajar na ideia, é plenamente viável realizar uma construção desse tipo aqui”, afirmou o arquiteto, que há quase cinquenta anos utiliza técnicas de construção em harmonia com a natureza e os seus recursos, promovendo o equilíbrio entre o meio ambiente e o progresso.

 

 

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