O medo da Febre Amarela – Luciano Tadeu

Chega mais um verão e as doenças transmitidas por mosquitos assustam cada vez mais: Dengue, Zika, Cikumgunya e volta ao cenário midiático, a temida Febre Amarela! Afinal, existe tanta razão para pânico assim? E qual a relação do macaco com toda essa história? Acompanhe nossa matéria e tire suas dúvidas.

Antes de mais nada, é importante que fique claro o seguinte: existem dua modalidades muito bem definidas de ciclo de transmissão do vírus da Febre Amarela: o ciclo urbano e o ciclo silvestre. O Ciclo Silvestre é aquele que ocorre nas matas, a fêmea de um mosquito, que ainda não possui o vírus, pica um primata (macaco) doente. A partir daí, esse mosquito passa a transmitir o vírus para outros macacos, que forem picados por ele, dentro da floresta. Nessas áreas, a transmissão é dada por dois gêneros diferentes de mosquitos: Haemagogus e Sabethes. Pessoas que costumam entrar em matas, ainda que eventualmente, ou vivam próximas dessas áreas podem ser picadas por esses mosquitos e desenvolverem a doença. Nesse caso, chamamos essa transmissão de Febre Amarela Silvestre. É o caso de todas as transmissões relatadas até agora.

Quando pessoas contaminadas com o vírus da Febre Amarela são picadas pelo Aedes Aegypti (apelidado de mosquito da dengue), ele adquire o vírus e pode passar a transmitir a doença. Como o Aedes só vive em área urbana, próximo ao homem, chamamos essa transmissão de febre amarela urbana. Até o momento, não se tem notícias de casos assim. Desde a década de 40, o Brasil não registra casos de Febre Amarela Urbana.

Quando se fala em Febre Amarela, é preciso observar algumas questões:

– Ainda não foi registrado nenhum caso de Febre Amarela na Cidade do Rio de Janeiro

– Todos os casos de Febre Amarela relatados até o momento são casos de Febre Amarela Silvestre. Ou seja, as pessoas que contraíram essa doença foram contaminadas dentro de mata ou próximo delas.

– Apenas a picada de mosquitos contaminados é capaz de transmitir a doença. Portanto, o contato próximo aos macacos não traz nenhum risco aos humanos para a Febre Amarela. Da mesma forma, não é possível a transmissão do vírus de uma pessoa para outra.

-Os Macacos são “grandes sentinelas” para a febre amarela, uma vez que, o aparecimento de macacos mortos pode ser um alerta para a transmissão do vírus. Portanto, são tão vítimas como nós do vírus e precisam ser preservados

A Zona Oeste e a Febre Amarela

Como já foi dito, ainda não existe nenhum caso relatado de Febre Amarela na Zona Oeste, nem na Cidade do Rio de Janeiro. Porém, é importante observar o seguinte: temos duas grandes florestas na nossa região, o Parque Estadual da Pedra Branca (maior Floresta Urbana do Mundo), que inclui as Praias selvagens de Barra de Guaratiba, a Pedra do Ponto, as cachoeiras do Rio da Prata e do Barata, entre outros atrativos. A outra floresta é o Mendanha. Todas essas regiões atraem muitos visitantes, em especial, agora no verão. Por essa razão, as pessoas visitam esses locais, moram ou trabalham próximas, precisam ter atenção especial com a vacinação, por questões de cautela, pois não há relatos de circulação viral nessas localidades. Também é importante que pessoas que pretendam viajar para áreas onde existam casos confirmados, procurem se vacinar com no mínimo 10 dias de antecedência.

Sintomas da Febre Amarela

A febre amarela é uma doença infecciosa grave, causada por vírus e transmitida por vetores. Geralmente, quem contrai este vírus não chega a apresentar sintomas ou os mesmos são muito fracos. As primeiras manifestações da doença são repentinas:

– febre alta,

– calafrios,

– cansaço,

– dor de cabeça,

– dor muscular,

– náuseas

– vômitos por cerca de três dias.

A forma mais grave da doença é rara e costuma aparecer após um breve período de bem-estar (até dois dias), quando podem ocorrer insuficiências hepática e renal, icterícia (olhos e pele amarelados), manifestações hemorrágicas e cansaço intenso. A maioria dos infectados se recupera bem.

A melhor prevenção é não deixar o mosquito nascer

A população não pode esquecer que o mesmo mosquito que transmite a febre Amarela em área urbana, é o mesmo que transmite a dengue, a zika e a Chikungunya. Todas aquelas recomendações que já conhecemos continuam valendo: não deixar água acumulada. Existem dados que mostram que 80% dos focos do Aedes Aegypti estão dentro das casas, ou seja, todos nós precisamos fazer nossa parte. Além disso, é importante denunciar à Prefeitura, locais que acumulem água, através do telefone 1746.


Luciano Tadeu é Biólogo, especialista em controle de vetores e Mestrando em Ciência e Tecnologia Ambiental pela UEZO.
CRBio 39000/02
e-Mail: lucianotadeubio@gmail.com

 

 

 

 

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