João Braga o “Dono do Parque”

Liderança empresarial, comunitária e social, João Braga cuida do meio ambiente no Parque Estadual da Pedra Branca – vertente norte, Portal Piraquara -, há mais de 15 anos. Brasileiro, 75 anos, viúvo, 3 filhos, morador de Realengo, comerciante tradicional, membro do Lyons, da Câmara Comunitária de Realengo, da Associação de Meio Ambiente de Bangu, da Loja Maçônica Floriano Peixoto 39, fundador da Brigada João Braga em 1994 – grupo de defesa ecológica com o objetivo de conscientizar a população da importância de se preservar o meio ambiente -, Braguinha para os íntimos, defendeu a construção da sede norte do Parque Estadual da Pedra Branca, equipada com instrumentos de lazer, guardas e guias florestais para vigilância e orientação dos visitantes, e hoje, a tem como troféu.
João faz isso por ser vizinho do parque e pela satisfação de lidar com a natureza, sentimento que substituiu o espírito aventureiro que alimentava. “Não tem orçamento, não contabilizo, não tem preço o que faço. Minha recompensa é a conscientização da população da necessidade de se preservar o meio ambiente. Paguei para capinarem as áreas que plantei, paguei pelas minhas ferramentas e mudas, fiz palestras sobre replantio e conservação, trouxe bananas para os micos e café para o pessoal da obra. Troquei a emoção dos voos de ultraleve, dos mergulhos, das motos, entre outras, pelo cultivo da natureza;
– Ir à Praia é tão emocionante quanto entrar na mata;
-Me emocionei ao ver três homens querendo abraçar uma árvore;
-Fui jurado de morte pelos criadores de gado de então”; explica Braguinha que foi reconhecido como recuperador de áreas ambientais pelas autoridades públicas da época.
Hoje, aos 75 anos, Braguinha vive intensamente o Parque e colhe os frutos que plantou sem parar de produzir:

Braguinha resgata o Jardim do Éden em Realengo

Numa área onde qualquer pessoa comum duvidaria do nascimento de um belo jardim, em meio metro de beira de estrada, junto a um muro residencial, lugar próprio para meio fio e ralos, João Braga resolveu o problema de centenas de moradores da Rua Ligação do Pará – rota de caminhada da comunidade -, no Parque Ideal, aos pés da Serra do Barata, em Realengo:

“Aqui era o canto da macumba, do cachorro morto, foi difícil convencer a comunidade que não era lugar para jogar lixo, que não deveriam arrancar as mudas e agora as flores. Mas hoje eles já ajudam a cuidar, já botam mudas na minha porta para eu plantar”

para acabar com o descarte de lixo e cultos religiosos no local, ele está plantando o que chamará de Jardim do NEDE, uma alusão disfarçada do Jardim do Éden em Realengo.

A flor misteriosa de cores variadas, amarela e coral que domina a paisagem, recomendada por uma amiga que não lembra o nome, formará a base do Jardim. Outras espécies como

Escumilha

Cotonete

Pau Brasil

Murta

Ipê Branco

Palmeira Imperial

Ipê Roxo

reinarão imponente no projeto que já tem 300 mudas plantadas ao longo de três anos e precisará de mais 5 anos para ganhar maturidade.

Com a planta Jasmim Manga que ele trouxe da Serra do Barata originariamente nas versões grená, rosa e branca, ele está fazendo uma experiência para criar a versão três em uma.

Na parte de cima, num chapadão rochoso, Braguinha para os íntimos, sugere a construção de um heliponto.
Assim ele está desenhando o “Jardim do NEDE”.

Para quem é do ramo um papo com Braguinha vira uma aula:
– Olha Braguinha, uma goiabeira !
– Deixa, com a minha ajuda ela vai encontrar o seu lugar …
– Depois de concluído o jardim, vou colocar placas indicativas tipo “área de preserva ambiental”, entre outras.
– Olha o besouro! Se ele não pousar na Flor o maracujá não nasce… (foto)
– As sementes estão na própria flor é só pegar, flexionar na palma das mãos e semear em volta: assim se começa a cobertura de uma área…
– Já tem besouros e abelhas e os pássaros voltaram…

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